Value in Motion: Reinventando Mídia e Entretenimento
A reinvenção do mercado de mídia e entretenimento
A nova onda da publicidade na internet são os microdramas verticais que aparecem nas redes sociais. Eles resgatam a estrutura das novelas tradicionais, mas adaptadas para poucos segundos na tela do celular.
Esse movimento prova que as divisões entre o novo e o tradicional perderam o sentido prático. Hoje, o público busca a familiaridade de formatos conhecidos com a conveniência tecnológica, criando um ambiente onde offline e digital operam em sintonia.
Essa integração está movimentando oportunidades financeiras para o marketing. De acordo com o relatório Global Entertainment & Media Outlook 2025–2029 da PwC, o modelo de negócio das empresas nesse setor está passando por uma reinvenção.
Se antes o foco era vender assinaturas ou produtos diretamente para o usuário, agora o motor central do mercado é a publicidade. Em 2024 a indústria global de mídia e entretenimento movimentou US$ 2,9 trilhões em anúncios e superou, pela primeira vez, o dinheiro que saiu do bolso dos consumidores para pagar por serviços e conteúdos.
A diferença no ritmo dessas receitas ajuda a entender a mudança. O levantamento da PwC revela que a inversão de dinheiro das marcas em propaganda cresce em uma velocidade três vezes maior do que o gasto do consumidor final.
Enquanto as pessoas estão mais seletivas com o orçamento para assinaturas, as empresas aumentam os aportes para exibir anúncios em novos lugares, como nos planos de streaming com suporte publicitário.
Esse fenômeno gera o chamado value in motion, em que o capital migra para onde a atenção do público está mais intensa, com a projeção de que o mercado alcance US$ 3,5 trilhões até 2029.
A migração de valor é visível no avanço da publicidade sobre a TV conectada (CTV).
Ao contrário da televisão aberta tradicional, a CTV permite que empresas de diversos tamanhos acessem espaços de anúncios com alta qualidade de produção e segmentação precisa. É a tecnologia democratizando o que antes era restrito a grandes orçamentos.
Ao mesmo tempo, os jogos eletrônicos saltaram de plataformas de diversão isolada para criar ecossistemas complexos, onde a socialização entre jogadores e o consumo de produtos ocorrem simultaneamente, transformando o game em um agente vivo de negócios.
Para as empresas, o caminho atual é apostar nos fundamentos básicos de análise de mercado e comportamento apoiados pela análise de dados. A tecnologia passa a ser chave para recuperar a proximidade com o cliente, muitas vezes perdida em processos automatizados.
O mesmo relatório indica que a IA generativa também está entrando nesse circuito como um amplificador da engenhosidade humana. Na prática, a tecnologia permite entender quando o público prefere o entretenimento físico ou uma interação direta, garantindo que as marcas estejam presentes de forma útil e equilibrada, evitando a saturação nas telas.
Essa transformação também estende seus braços para o mercado B2B.
Como os profissionais que decidem compras corporativas também consomem microdramas, filmes nos streamings e acompanham influenciadores que transitam entre a TV e as redes sociais, o espaço está aberto para todos.
Nesse sentido, a influência no setor entre empresas surge da necessidade natural de humanizar a comunicação técnica. Quando uma marca B2B utiliza dados para personalizar a jornada de um executivo com a precisão, ela substitui a frieza institucional por uma relação de confiança, tratando o tomador de decisão como o indivíduo multicanal que ele é.
A fusão entre os mundos corporativo e de consumo é nítida nas projeções de faturamento. A PwC estima que, em 2029, a receita vinda de publicidade será US$ 300 bilhões maior do que a receita vinda do consumo direto. Isso indica que as marcas precisam atuar como curadoras.
O uso da informação ajuda a prever o churn point de um usuário, permitindo oferecer algo relevante antes que ele perca o interesse. O foco volta-se para a utilidade da mensagem entregue, unindo o que há de mais moderno em análise preditiva com o antigo valor do bom atendimento.
O crescimento das experiências offline mostra que o público valoriza o que é tangível e autêntico após longos períodos de interação digital.
Estratégias que unem o alcance digital ao contato direto são mais resistentes a mudanças de mercado.
O conceito de back to basics não ignora o avanço técnico, mas utiliza ferramentas para realizar o que sempre funcionou, isto é, contar histórias e resolver problemas de forma simples. O marketing que ignora essa fusão perde a chance de dialogar com um público mais atento e exigente.
A capacidade de adaptar o modelo de negócio a essa realidade define a permanência das marcas no mercado. A análise da PwC sugere que integrar narrativas em diferentes formatos, mantendo a essência do negócio, é fundamental para capturar esse valor em movimento.
Seja na venda de um hambúrguer, de um software ou de um serviço de mídia, o objetivo permanece sendo entender as preferências do indivíduo e combinar a precisão dos dados com a clareza de uma conversa direta.






