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Tempo de Leitura: 2 minutos

Por que o marketing B2B não pode se dar ao luxo do básico?

O perigo do piloto automático na sua estratégia de marketing B2B

Entrar no automático no marketing B2B me parece ser uma prática comum. Até entendo o por quê, já que no conforto temos uma gostosa sensação de controle: mantemos presença básica, reduzimos risco criativo, repetimos fórmulas que já funcionaram e investimos apenas o suficiente para sustentar o pipeline do trimestre.

Internamente, isso não só reduz fricção, mas evita debates mais duros sobre posicionamento e facilita justificar orçamento com métricas de curto prazo. Mas, estrategicamente, evitamos a disputa pela formação de preferência no mercado, o que aos poucos corrói nossa competitividade, margem e influência sobre os critérios de decisão do cliente.

O cenário atual do investimento em Marketing B2B

Segundo o Gartner, grandes empresas B2B investem, em média, entre 7% e 10% da receita em marketing. Não é pouco, uma vez que esse percentual cai entre as pequenas e médias para até 2% do faturamento. O problema do marketing B2B está na alocação desse orçamento, ainda se concentrando na captura de demanda existente, como mídia paga orientada a conversão, geração de MQL, automação focada em volume e conteúdos desenhados para alimentar funis já estabelecidos. São investimentos voltados a responder ao que o mercado já está buscando, não a ajudá-lo a pensar estrategicamente.

Como o piloto automático afeta o marketing B2B e o posicionamento

Quando a empresa não investe de forma consistente em posicionamento e construção de autoridade, ela deixa que os critérios de decisão sejam definidos por terceiros, concorrentes mais ativos, benchmarks da categoria ou simplesmente pela inércia do setor. Nesse cenário, a disputa passa a ocorrer dentro de parâmetros que você não ajudou a construir, tampouco controla.

O impacto dessa falta de visão no marketing B2B é brutal. A diferenciação diminui e os fatores de mais fácil comparação ganham peso, como SLA, feature, preço. Isso alonga o ciclo já que o comprador precisa de mais evidências para justificar a escolha. A pressão por desconto aumenta porque o valor percebido não está claramente estruturado. Por fim, a negociação se torna mais operacional do que estratégica.

Conteúdo sem personalidade e sem impacto

O automático também afeta o conteúdo. Quando a produção é guiada apenas por calendário e volume e não por teses inteligentes sobre o mercado e seus movimentos, o resultado costuma ser tecnicamente correto, mas que serve para qualquer empresa, sem personalidade. Reforça o que todos já sabem e replica discursos já conhecidos da categoria, evitando posicionamento e a explicação de nossos valores e pensamentos. Com isso, perdemos a oportunidade de influenciar a forma como o problema é entendido e pode ser resolvido.

Em um ambiente B2B com múltiplos decisores, alta complexidade e risco reputacional envolvido, não basta a nossa exposição. Precisamos estruturar melhor a decisão do que nossos concorrentes. Investir o mínimo pode sustentar a presença, mas sem estruturação, dificilmente essa presença sustenta margem diferenciada e lucratividade.

No marketing B2B, o custo do automático será revelado internamente como dependência crescente de esforço para gerar o mesmo resultado. E, no longo prazo, isso não sustenta os negócios.

Fernanda Nascimento é planejadora de Marketing, empreendedora, estrategista digital centrada no cliente e especialista em Marketing e Vendas B2B, que estuda e cria estratégias de marketing digital para empresas B2B. Com mais de 30 anos de mercado, atua na Stratlab - empresa que fundou e responde como CEO - criando planejamentos integrados que priorizam a experiência do cliente, geram leads e convertem em vendas de alta qualidade.

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