Por um bom tempo, gerenciar riscos significava basicamente controlar e reduzir a sua frequência. A ideia principal era detectar as ameaças potenciais, estimar as probabilidades de dano e elaborar um plano que protegesse a empresa de cenários ruins. As empresas tratavam o risco como algo perigoso e escondido, que precisava ser controlado de qualquer forma.
Esse jeito de fazer as coisas deu certo por um tempo, ainda mais em épocas de mudanças que conseguíamos prever. Mas agora, com a incerteza aparecendo o tempo todo, o mercado tem que ajustar a maneira como lida com esses riscos, o que inclui uma mudança natural na forma como nos relacionamos com nossa vulnerabilidade.
O ambiente de negócios é o que a EY chama de mundo NAVI, ou seja, não linear, acelerado, volátil e interconectado. Nesse contexto, os eventos não se acumulam de forma simples, mas se multiplicam e criam efeitos em cadeia. Imagine que um erro em um software de nuvem pode interromper toda a logística mundial. Só precisa de uma escolha duvidosa para arruinar em instantes a reputação que levou anos para construir.
Líderes e marcas estão, assim, descobrindo que não dá mais para dominar o imprevisível e, aqui, surge uma mudança estratégica importante no tratamento dos riscos. A sugestão é reimaginar o risco em si. Embora 6 em cada 10 empresas reconheçam que a gestão de riscos exige uma transformação, o estudo da EY mostra que só 14% delas alteraram de verdade sua forma de lidar com isso.
Essa mentalidade de trazer os riscos à luz também os integra à estratégia de expansão do negócio. Se bem entendido, o risco deixa de ser só uma ameaça e vira uma chance de explorar novas possibilidades. As empresas que pensam assim detectam disrupções com antecedência, se ajustam mais depressa e reagem às mudanças boas e ruins de modo mais preciso.
Não à toa, os negócios mais preparados são chamados de “estrategistas de riscos” e têm metade das chances de serem pegos de surpresa. Eles também são melhores na detecção e na resposta rápida a problemas, conforme a mesma pesquisa.
Cria vantagem a partir da estratégia de risco, no entanto, envolve três ações ligadas entre si na cultura e na prática da empresa. A primeira é passar da simples mitigação para uma resiliência aos riscos, algo para o qual se está não só atento, mas preparado para a ação a partir deles. Em termos práticos, não adianta só ter um plano reserva, precisamos cultivar uma cultura de flexibilidade constante.
No B2B, diversificar fornecedores e gerenciar parcerias é crucial para a essa adaptabilidade, formando conexões com base em transparência, dividindo riscos e lições aprendidas, e eliminando barreiras internas para que equipes trabalhem juntas de forma proativa no planejamento dos negócios.
O segundo passo é aprender a lidar com a incerteza sem perder a confiança dos outros. Com tanta instabilidade, essa confiança não vem para evitar falhas completamente, mas para que possmaos dar agilidade e da consistência na reação a elas. Percebe que isso só funciona quando dados e tecnologia se alinham ao objetivo principal da empresa?
A IA Generativa, por sua vez, serve como instrumento que, orientado por regras éticas firmes, melhora a governança e protege o valor da marca.
Por fim, se o risco é a matéria-prima da oportunidade, o papel do líder deixa de ser o de fornecer respostas prontas e passa a ser o de formular as perguntas certas. O que acontece se o nosso principal mercado for fechado amanhã? Qual é a nossa estratégia de crescimento se a IA automatizar 80% do nosso serviço?
O maior poder da preparação para o risco está em montar um ecossistema pronto para aprender com as lições. Em vez de fugir do erro, o líder tem de assegurar que o sistema de controle capture o conhecimento que ele produz.
O futuro, mais do que nunca, será incerto. Precisamos entender se nossas empresas estão erguendo uma base forte, ancorada em propósito, dados e capacidade de adaptação. Essa base não só resiste aos riscos, mas é usada para fortalecer a organização.
As empresas com maior potencial de crescimento não se iludem com controle, mostram ousadia ao abraçar o imprevisível como parte do progresso. Ao assumir essa postura, geram uma confiança mais sólida entre clientes, parceiros e a sociedade. Um verdadeiro teste de maturidade estratégica.



